sábado, 11 de dezembro de 2010
Poema
NOITE DE VERÃO
Calor escaldante...
Que tal
tomar 'uma fresca'
& apreciar os Cosmos?...
A noite é parceira
& ajuda...
Cabeças revoltas
Mirando o Infinito
procurando entender
Os rítmos
& os desígnios
das estrelas
cadentes...
& seus mistérios
Reconheço
Orion
(Três Marias)
o Cruzeiro
& Vênus
Só?!!
...
Céus,
que limitação...
Mas... amiga ...
A noite é parceira
& ajuda... então
Que tal
tomar 'uma fresca'
& apreciar os Cosmos
(E algo mais?!...)
Júlio Garcia - Dezembro/2010.
sábado, 20 de novembro de 2010
Poema

Se apenas nos restar, ao fim da tarde
'Valeu a pena? Tudo vale a pena/ Se a alma não é pequena./Quem quer passar além do Bojador/Tem que passar além da dor.' (Fernando Pessoa)
Se apenas nos restar, ao final da tarde
uma tênue lembrança de um tempo mágico
& agitado
em que sonhávamos acordados
& o sonho era possível e necessário
e obreiramente buscávamos edificá-lo
E era um tempo de trevas e de glórias
anos anos anos de chumbo, nebulosos
em que com nossos corpos franzinos
escalávamos escarpas de montanhas
e transpúnhamos solenemente os mais íngremes
obstáculos
& correntezas letais
carregando desafiadoramente a bandeira da rebeldia
& da fraternidade
da utopia & da esperança
Companheira
se ao final da jornada
sobrar mais prantos que alegrias
e apenas nosso cão estiver conosco
festejando entre nosso olhar cúmplice
& solidário
e um ou dois amigos/companheiros, raros, que restaram
para charlarmos entre um e outro mate
ao fim de uma tarde invernal
onde nossas relembranças & recuerdos
& angústias pautam os assuntos
Mesmo assim, companheira,
com essas verdades metálicas e abrasivas
nos corroendo por dentro
mordendo nossas entranhas &
corações
terá valido a pena
por que fizemos o que tinha que ser feito
por que era preciso andar pra frente
por que não se podia jamais retroceder
Se o tempo de hoje é diferente
daquele quando nos chamávamos camaradas
e oferecíamos, nas avenidas infestadas
de truculência policial & contrapondo-se à eles
nossos peitos desnudos mas repletos
de despreendimento & coragem juvenil
E confundíamos nossas vidas, nossos sonhos
E éramos solidários na fome e no combate
& multiplicávamos o pão a energia
& a esperança
Se apenas nos restar uma lembrança
desses tempos gloriosos e obscuros
Mesmo assim, companheira,
Terá valido a pena
por que fizemos o que tinha que ser feito
por que era preciso andar pra frente
por que não se podia jamais retroceder
Se, então, no ocaso dos nossos dias, for essa a realidade,
companheira,
ainda assim terá valido a pena
pois teremos deixado sementes plantadas
(e sabemos que Gaya, fértil, fará a sua parte
nosso modesto testamento
para os que vierem depois)
-por que (ainda) é preciso andar pra frente
-por que não se pode mais retroceder
Se, profunda lástima, ausentarem-se os amigos mais fraternos
e os camaradas nos virarem as costas
& se o partido frustrar os lutadores
& equivocadamente recuar de sua missão
& a palavra solidariedade for sepultada
nas covas do egoísmo, do oportunismo
& da traição
Se for somente isso o que nos restar, ao fim da tarde
& da traição
Se for somente isso o que nos restar, ao fim da tarde
Mesmo assim, não capitularemos
não entregaremos nossas armas, companheira:
Por que é preciso - sempre- andar pra frente
por que é preciso - sempre - acreditar
que, afinal, apesar das intempéries, dos tormentos
é possível (Fênix)... vencer...
por que - ao fim e ao cabo - a luta, a vida ... vale a pena!
E por que não se pode, jamais, retroceder!
por que é preciso - sempre - acreditar
que, afinal, apesar das intempéries, dos tormentos
é possível (Fênix)... vencer...
por que - ao fim e ao cabo - a luta, a vida ... vale a pena!
E por que não se pode, jamais, retroceder!
Poema
Khadro Ling
No topo da montanha iluminada
de Águas Brancas
Sopram os ventos incessantes que carregam
No seu solidário e irrequieto
dorso errante, as sábias
& abençoadas mensagens de amor, de compaixão,
de ternura e paz
em benefício de todos os Seres
em benefício de todos os Seres
(Bandeiras e Rodas de oração)
No cimo da montanha o Templo soberano
&, mais abaixo
Em harmonia com a natureza preservada
Sob o canto dos pássaros nativos
Mentes -igualmente - iluminadas contemplam
Mentes -igualmente - iluminadas contemplam
as estátuas colossais artisticamente trabalhadas
Até onde a vista alcança
O vale é verde verde verde
Contrastando com o azul infinito e puro
Dos céus imaculados
Lá embaixo
Serpenteia o pedregoso e revolto Paranhana
Tonificando o pé da montanha misteriosa
A Terra Pura
Júlio Garcia - Nov./2010
Onde habitam entre florais & incensos
(recitando suavemente os mantras sagrados,
com suas vozes cálidas & sensuais
com suas vozes cálidas & sensuais
repletas de Sabedoria Milenar)
As Dançarinas dos Céus
Júlio Garcia - Nov./2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Poema

Eu Canto
Eu canto
com profundo prazer, com emoção
o povo que optou por ser livre
e que por isso sangrou.
Os heróis e os anônimos.
A América Latina
(vulcão em atividade permanente).
O fogo descendo pelas encostas das neves andinas,
Eternas, desafiadoras, majestosa...
E madrastas.
Guevara eternizando seu exemplo
nos vales e montanhas bolivianas.
Eu canto o feito épico
de Lamarca lutando contra a fome
e as injustiças no Vale da Ribeira.
As crianças da Nicarágua
entoando suas canções sandinistas
(que falam em um porvir
com rios de leite e mel).
Eu canto a epopéia vivenciada
pelos povos, todos, de nosso imenso
e explorado continente
(do Altiplano, das savanas, dos pampas sem fronteiras,
da Amazônia infinita, das selvas colombianas...).
Eu canto
os camponeses, os índios
despojados de suas terras.
Os combatentes mortos no Peru
nas selvas do Araguaia
nas ruas de Santiago...
Toda a resistência conhecida
(ou anônima)
que houve, ou que haverá (?!) em nossa
Pátria Grande
Eu canto.
A coragem da mulher salvadorenha,
chilena, brasileira, uruguaya...
A saga das loucas
da Plaza de mayo.
De todas as esposas/mães/irmãs/amigas
de todas as fortes, calejadas, saudosas, resistentes
companheiras dos desaparecidos latino-americanos...
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Por todo o sangue derramado
pelos povos.
Por tudo isso dito, e pelo que ficou
Ainda guardado, esperando o seu momento,
E c o a n d o :
Eu canto!
Júlio Garcia
*Este poema recebeu a ‘Menção Honrosa’ no XXI Concurso Literário Felippe D’Oliveira (Santa Maria – RS - 1997).
sábado, 3 de outubro de 2009
Poema
Altas horas
Os cães ladram na rua
fantasmas forçam a janela
A noite é longa e inodora
uma música
um poema
tua esquisita e cálida
lembrança
insônia
inquietude
a ausência dos
teus lábios &
meia garrafa de vinho
(altas horas)
Júlio Garcia - Primavera/2009
domingo, 28 de junho de 2009
Poema
segunda-feira, 23 de março de 2009
Poema

Água Cristalina
Benfazeja
água pura
caindo das alturas
sobre a relva.
Revigora o corpo
excita a alma
acalenta
estimula
(refrigera).
Água da terra
água da chuva
água do rio
água do mar
(água da Vida)...
Necessária
benévola
cristalina
água limpa
transparente
brotando vigorosa
(virgem)
da vertente
caindo do infinito
lubrificando
refrigerando
nos vales
na serra
a calidez
da terra
a morbidez
(algoz)
Benfazeja
água pura
cristalina
caindo das alturas
(divina)
sobre nós...
Júlio Garcia - 1994
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Poema
Ombros
'Mundo mundo, vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não uma solução...' Carlos Drummond de Andrade
Apesar da dor
apesar da pressão
das desilusões &
da situação precária,
das traições...
das indiferenças
e das descrenças
(megeras canibais prontas para o ataque,
filhas diletas do ciúme & da covardia)
Ele não sucumbiu...
&
como Fênix
(para o desespero dos descrentes
& dos capachos de toda ordem)
seu vasto & confuso coração
alargou-se mais ainda
superou-se (milagre dos milagres)
deu 'a volta por cima'
& venceu!
(os ombros, como disse o poeta,
- mais uma vez -
sustentaram o mundo)
Júlio Garcia - dezembro/2008
sábado, 27 de setembro de 2008
Poema
Teu nome
Teu nome é luz
teu nome é carne
teu nome é ventre
é estrela
e é mar
teu nome é vento
é brisa
e tempestade...
teu nome é vinho
e é sangue
é também perfume
é ternura
e emoção
teu nome é mais...
teu nome é tudo o que faz
nascer o dia
cair a noite
soprar a brisa
cair a chuva
brilhar o sol
....
teu nome é, assim,
a própria razão
da vida
teu nome é amor
e paixão
Teu nome é luz
teu nome é carne
teu nome é ventre
é estrela
e é mar
teu nome é vento
é brisa
e tempestade...
teu nome é vinho
e é sangue
é também perfume
é ternura
e emoção
teu nome é mais...
teu nome é tudo o que faz
nascer o dia
cair a noite
soprar a brisa
cair a chuva
brilhar o sol
....
teu nome é, assim,
a própria razão
da vida
teu nome é amor
e paixão
sábado, 6 de setembro de 2008
Tempo
Vida agitada
não se tem tempo pra nada...
mas sabemos que o tempo é essencial
e temos que administrá-lo - e bem
o ser humano tem que ter tempo para tudo:
tem que ter tempo para trabalho
tempo para a luta
tempo para o estudo
tempo para a família
tempo para o amor
...
mas o tempo
é tão relativo
& o amor
é tão atemporal
(e tão essencial)
...
tempo para dar duro
tempo para ficar
tempo para amar
tempo para a dor...
mas o tempo maior
aquele que eterniza e dignifica
e que dá mesmo significado à Vida
é o tempo dedicado
ao Amor
- sabei aproveitá-lo!
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