sábado, 3 de outubro de 2009
Poema
Altas horas
Os cães ladram na rua
fantasmas forçam a janela
A noite é longa e inodora
uma música
um poema
tua esquisita e cálida
lembrança
insônia
inquietude
a ausência dos
teus lábios &
meia garrafa de vinho
(altas horas)
Júlio Garcia - Primavera/2009
domingo, 28 de junho de 2009
Poema
segunda-feira, 23 de março de 2009
Poema

Água Cristalina
Benfazeja
água pura
caindo das alturas
sobre a relva.
Revigora o corpo
excita a alma
acalenta
estimula
(refrigera).
Água da terra
água da chuva
água do rio
água do mar
(água da Vida)...
Necessária
benévola
cristalina
água limpa
transparente
brotando vigorosa
(virgem)
da vertente
caindo do infinito
lubrificando
refrigerando
nos vales
na serra
a calidez
da terra
a morbidez
(algoz)
Benfazeja
água pura
cristalina
caindo das alturas
(divina)
sobre nós...
Júlio Garcia - 1994
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Poema
Ombros
'Mundo mundo, vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não uma solução...' Carlos Drummond de Andrade
Apesar da dor
apesar da pressão
das desilusões &
da situação precária,
das traições...
das indiferenças
e das descrenças
(megeras canibais prontas para o ataque,
filhas diletas do ciúme & da covardia)
Ele não sucumbiu...
&
como Fênix
(para o desespero dos descrentes
& dos capachos de toda ordem)
seu vasto & confuso coração
alargou-se mais ainda
superou-se (milagre dos milagres)
deu 'a volta por cima'
& venceu!
(os ombros, como disse o poeta,
- mais uma vez -
sustentaram o mundo)
Júlio Garcia - dezembro/2008
sábado, 27 de setembro de 2008
Poema
Teu nome
Teu nome é luz
teu nome é carne
teu nome é ventre
é estrela
e é mar
teu nome é vento
é brisa
e tempestade...
teu nome é vinho
e é sangue
é também perfume
é ternura
e emoção
teu nome é mais...
teu nome é tudo o que faz
nascer o dia
cair a noite
soprar a brisa
cair a chuva
brilhar o sol
....
teu nome é, assim,
a própria razão
da vida
teu nome é amor
e paixão
Teu nome é luz
teu nome é carne
teu nome é ventre
é estrela
e é mar
teu nome é vento
é brisa
e tempestade...
teu nome é vinho
e é sangue
é também perfume
é ternura
e emoção
teu nome é mais...
teu nome é tudo o que faz
nascer o dia
cair a noite
soprar a brisa
cair a chuva
brilhar o sol
....
teu nome é, assim,
a própria razão
da vida
teu nome é amor
e paixão
sábado, 6 de setembro de 2008
Tempo
Vida agitada
não se tem tempo pra nada...
mas sabemos que o tempo é essencial
e temos que administrá-lo - e bem
o ser humano tem que ter tempo para tudo:
tem que ter tempo para trabalho
tempo para a luta
tempo para o estudo
tempo para a família
tempo para o amor
...
mas o tempo
é tão relativo
& o amor
é tão atemporal
(e tão essencial)
...
tempo para dar duro
tempo para ficar
tempo para amar
tempo para a dor...
mas o tempo maior
aquele que eterniza e dignifica
e que dá mesmo significado à Vida
é o tempo dedicado
ao Amor
- sabei aproveitá-lo!
sábado, 2 de agosto de 2008
poema erótico

Amor, Amada
quero viajar contigo nas ondas infinitas dos desejos
nessas curvas insinuantes e
convidativas ao prazer e
ao pecado
ah! essa tua boca fruta temporã pronta para ser colhida
ah! essa tua cara de anjo nostálgico
que eu quero ternamente corromper com minha sede
& safadez
então quem sabe agora
vamos viajar para o inferno bom dos delírios
das alucinações
das loucuras
& da volupia dos amores
sem frescuras & mesquinharias & faz-de-conta
conscientes e recheados de que faremos
pecados sórdidos & gostosos
& necessários nessa viagem cósmica pelos confins
dos corpos e das mentes
eternizando no recíproco louco prazer
a doação dos carinhos &
das químicas transcendentais
seguir juntos nessa imensa, desafiadora
estrada misteriosa
para o Tudo, para o Nada
Amor, Amada...
sábado, 19 de julho de 2008

Poema
A rua fria e escura e
seus personagens doidos
marginais
a cena tragicômica repetida
nas calçadas deformadas & cinzentas
a náusea
o nojo
a triste
'vida'
dos perdidos
maiores menores abandonados
o filme b inacabado documentando
a egoista & cruel noite metropolitana
Mas isso ... é mesmo
vida?!
...
O nojo
a náusea
a miséria
o poder público omisso
& conivente com a barbárie
a triste
cena repetida
repetida
repetida...
CORTA!
domingo, 6 de julho de 2008
Poema

Poema nostálgico e etílico
*Para o amigo Holte Ramos de Oliveira (Didi), companheiro e protagonista deste poema
*Para o amigo Danilo Nunes Neto, grande companheiro de viagem
Entre um gole e outro e
descobrindo a nós e ao mundo
entre um gole e outro de uisque com campari
e degustando a noite abrigados
no seio da Barbarella
Entre um gole e outro
e o xis completo
e Guevara com seu diário ensanguentado
e as revoluções que articulávamos
e que necessitávamos fazer
no país
no Mundo
e em nós mesmos
Entre um gole e outro
e muitos mais
e muitos porres etílicos
e mentais
Meu amigo e eu e às vezes
meia dúzia mais de convivas
divagando seriamente ou só
matando o tempo
nas mesas do bar simplório
mas tão aconchegante
ponto de encontro dos jovens notívagos interioranos
Noites longas que passavam
tão rápidas
no seio da Barbarella
jovens curiosos/audaciosos
preocupados ou não
com as questões do Espírito
e do Corpo
e alguns com o povo sofrido e suas mazelas
Jovens estudantes entupidos de sonhos e às vezes
de xis & uisque com campari
no seio caliente do Barbarella
II
Enquanto nas selvas de pedra das metrópoles
ou nas selvas expessas do Araguaia
alguns combatiam e muitos sucumbiam
e nem imaginávamos a forma
e de como se deram
seus estertores gloriosos
heróicos e obscuros
e a imprensa amordaçada ou cúmplice contribuia com a noite escura
que cobria o país
e de quase nada sabíamos
Enquanto a maioria precupava-se com sua vidinha
sem sentido parasita egoista e barata
novelas futilidades e futebol aos domingos
Enquanto na calada da noite
padres e freiras e artistas
eram sequestrados
e operários e estudantes resistindo
ou sucumbindo na clandestinidade e na tortura
a Guerra intestina insana e desigual
& o outro brasil dormindo às margens plácidas
sem escutar o brado retumbante
das vítimas civis trucidadas
nos subterrâneos funéreos doentios das câmaras
medievais verde-olivas
Enquanto em outro extremo do Planeta as rubronegras & infernais
bombas e metralhas covardemente lançadas pelo império
rechedas de ódio e napalm
traziam o caos queimando a Terra
e as Carnes inocentes
chamas humanas correndo desesperadas em My Lai
E a fome & a Miséria reinando absolutas & trágicas
no Terceiro Mundo Negro Amarelo Mestiço
Ameríndio
e o os mesmos de sempre banqueteando-se
com o suor e o sangue de suas vítimas
(acusadora culpa pairando incisivamente no Espaço e no Tempo)
III
Noites de boemia
noites de Barbarella
período de gincanas bailes de formatura
amor/paixão às vezes arrasadoras e muitas outras
não correspondidas
& o tédio inquietando a alma
& os caminhos chamando ao desafio
do conhecimento & da aventura
as viagens de carona
os flagêlos
as buscas
estradas tortuosas
trilhas na serra
rotas do mar
as areias de Tramandaí
acampamento hyppie barracas coletivas
solidariedade & cumplicidade
nas rochas de Torres & o mar & a lua
& e sol escaldante por testemunha
a feira de malucos na praça central de Curitiba
as selvas de pedra paulistanas e depois
a emoção de conhecer o Rio
Copacabana Ipanema Leblon
a Barra como destino e
rudimentar e perigoso abrigo noturno
A volta dificultuosa
fome e frio nas estradas chuvosas
incipiente maturidade forjada na rebeldia e
no sofrimento
E tudo isso acontecendo dia-a-dia que representavam
meses eternos
anos que pareciam congelados
a impaciência juvenil elevada
à máxima potência
Condores sobre os Andes
Roncinantes oferecendo parceria para
o desafio
das estradas longas e misteriosas
promessas de aventuras
e o enorme mundo a descobrir
IV
'Companheiro, quem responderá nossas perguntas
nossas dúvidas atrozes que machucam
que subvertem a lógica conhecida
que torturam o corpo
& a alma
e que
como uma peste profana
atemporal
quase destroem nossas incipientes e frágeis
certezas outrora absolutas?
Onde encontrar o Fio da Meada da Verdade?
onde estará o Começo do Caminho?'
V
Entre um gole e outro e buscando descobrir
as Verdades tão palpitantes e latentes
trocando nas geladas noites de julho
o aconchego dos lares aquecidos
pelas intempéries das ruas molhadas pelo orvalho
e fustigadas pelo minuano e pela indiferença
geral
Meu amigo e eu e às vêzes mais
meia dúzia de jovens camaradas
ou curiosos observando ou mesmo participando
de nossas parcas e imprecisas
mas cruciais discussões filosóficas/políticas/enciclopédicas
-sem ainda termos cruzado as Fronteiras dos Limites
-sem ainda termos comido o pós das Estradas do Inferno
-sem termos ainda sofrido o bastante e sabido
o quanto haveríamos e poderíamos
ainda suportar
VI
Assim aconteceu nos chamados 'verdes anos'
nem tão distantes - assim parece, agora -
meu amigo e eu
entre um gole & outro
de uisque com campari e discutindo
poesia/política/aventuras & rock in roll
naqueles idos de 70
descobrindo a Nós e ao Mundo
sob o olhar cúmplice e curioso
da insinuante garçonete morena
e prestativa
Sonhos & paixões
nas trilhas
nas estradas
nos corações & mentes
e nas mesas do Barbarella.
Júlio Garcia
sábado, 21 de junho de 2008
Poema

Os Beatles não devem cantar sozinhos
Amiga, canta comigo
aqueçamos esta noite fria
este ambiente invernal
com nossas vozes calientes
de ternura e paixão
Enquanto na vitrola McCartney canta Get Back
e Yesterday
e diz que Jojo deve desistir das ervas da Califórnia
& voltar para Tucson
que fica no Arizona, em Pima, se não estou enganado
Eu também
cá com meus botões, divago
e entre umas & outras
também acompanho a música
que ordena:
Get Back, Get Back
-Volta, volta
Júlio César
para o lugar de onde você veio e que
não está tão longe
& nem faz tanto tempo assim...
& o tempo é tão relativo e ardiloso
& tua Pasárgada parece que te chama
& há tanta coisa ainda por fazer
por lá...
(novamente)
Na noite de sábado
esta cerveja gelada aquece o corpo
& a alma
e Paul continua cantando
agora Yesterday
e eu vejo o Ontem
& também
vejo o Amanhã
Get Back, Get Back
Amiga, canta comigo
porque os Beatles não devem
cantar sozinhos
ainda mais nesta noite fria
e tão quieta que está lá fora
de tristes ruas sombrias
e desertas
(metrópole gelada & fantasma)
Cantemos, então, aqui dentro
pois quem canta
seus males espanta
assim já diz o dito
popular
E não precisa preocupar-se
com a exatidão
do rítmo pois
preciosismo
não é o mais importante
& aqueçamos - isso sim é o que vale -
esta noite invernal
com nossas vozes calientes
de ternura
& paixão...
Tucson, Porto Alegre, Liverpool, Canoas
& Santiago
tão distantes
tão diferentes
e tão próximas...
& assim eu vejo o Ontem
e também
vejo o Amanhã!
Get Back, Get Back!
Júlio Garcia - 2008
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